Senti o tempo passar num instante. Lembrei de minha infância, quando o sonho de consumo de milhares de contemporâneos meus era ter um Meu Primeiro Gradiente. Um toca fitas que também era gravador de voz. Todo colorido, com um exercício de interatividade incrível, pois você poderia se ouvir.
Interatividade? Estou eu navegando na internet e me deparo com isso:
Agora, ainda chamado de Meu Primeiro Gradiente, as crianças podem desejar um tablet. Interatividade? O que eu dizia sobre minha infância mesmo? Fiquei pensando nos caminhos que Amélie terá em sua vida. Que desejos desenvolverá? Que tecnologias terá a disposição?
A vida é mesmo um negócio encantador. Agora, deixa eu parar de divagar e ir buscar minha menininha na escola. É capaz dela estar discutindo as últimas inovações tecnológicas com seus coleguinhas!
Há poucos instantes, ao chegarmos em casa, eu e Karol nos deparamos com uma situação interessante. Amélie chegou no portão correndo, pedindo colo. Abraçou Karol, apontou pra ela e disse: uma mamãe. Virou pra mim e, colocando a mão em meu peito, disse: duas mamães.
Tenho procurado participar intensamente da criação de minha filha. Em todos os campos. Já escrevi aqui mais de uma vez sobre a rejeição que tenho aos conceitos "papel de pai", "papel de mãe". Prefiro compartilhar. Troco fralda, dou banho, dou almoço, corto unha e tudo mais. Me sinto gratificado em viver cada momento da criação de minha menininha.
Não sei que tipo de associação ela fez quando nos recebeu no portão hoje. Não tenho ideia da intencionalidade. Mas fiz a escolha de entender como eu quis: um elogio.
Amanhã Amélie completa 2 anos e 4 meses. A essa altura, já passou a fase crítica de nascimento de dentes. Tem um período em que chorinhos manhosos, febres, recusa de comida e afins são comuns. Esse tempo já passou por aqui e acabamos esquecendo dele.
Aí, com Amélie recusando comida, com pequenas bolinhas avermelhadas perto da boca e na orelha (rotineiras nas fases em que os dentinhos surgiram), demoramos pra lembrar desse detalhe.
Karol levantou a suspeita e lá fui em pro Dr. Google. Ele foi categórico: 2° molares: entre 24 e 30 meses!
A conferência final foi passar o dedo na gengiva dela e lá estava o inchadão de sempre!
Acabamos de chegar da escola de Amélie. A professora na porta entregando uma criança para a mãe e fomos entrando. Sempre fazemos isso e vemos Amélie vindo correndo lá de dentro.
Hoje ela não veio logo. A professora foi lá pra dentro e, no cantinho da sala lá estava Amélie, deitada no chão, ao lado de uma mesa dormindo como um anjinho! A professora a acordou e ela veio correndo até nós, toda desajeitada de sono, com a baba escorrida pela bochecha!
Figuraça essa menina... Isso que dá acordar 05:40 da manhã cantando!
Hoje, enquanto Amélie assistia os Icônicos, ela me pediu para desenhar os ursinhos Splish e Splash.
Usei toda minha habilidade artística para desenhar esses bonitinhos abaixo:
Ontem aconteceu algo bem bacana aqui em casa.
Amélie brincando na sala, tevê habitualmente ligada no Discovery Kids. Acho a programação toda do canal bem bacana, com conteúdos apropriados pra uma menininha de 2 anos conferir enquanto brinca. E, um que gosto muito (gosto mesmo, vira e mexe me pego rindo) é o Jelly Jamm.
Segundo a descrição do site do canal, o desenho apresenta a seguinte definição:
"Cada episódio de Jelly Jamm explora aspectos e emoções fundamentais da infância, como compaixão, confiança, conflito, raiva, felicidade, trabalho em equipe, expressividade, etc.
As histórias se concentram em temas de interesse para crianças de todas as idades, como jogos, objetos mágicos, animais, amizades, aventuras, descoberta de novos mundos, construção de coisas, etc."
Pra quem nunca assistiu, a turminha é essa aqui:
Bom, a realidade é que o desenho é super bonitinho, apropriado para crianças e divertido para pais. Recomendo!
Mas, o que inspirou essa postagem não é a propaganda apenas. Como eu disse, ontem a tarde Amélie assistia Jelly Jamm. Percebi que ela estava toda concentrada. De repente, lá pro final do episódio, Karol me cutuca e aponta pra Amélie. De olhinhos vidrados na tevê ela respirava mais fundo, armou um biquinho e seus olhinhos começaram a marejar. Na tevê, Goomo (o personagem cor-de-rosa, de chapéu) e Rita (a menorzinha, sentada) acompanhavam o nascimento de um Dodo (o bichinho verde e preto). Enquanto o ovo quebrava para a saída do bebê Dodo, Amélie assistia emocionada os carinhos de Rita com o bichinho. Só vi a lágrima escorrendo na bochecha dela. Foi super bonitinho, pois ela não caiu no berreiro, apenas se emocionou com a narrativa. Tanto que assim que a história deu a virada, ela ficou toda satisfeita, dançando e batendo as mãozinhas.
Foi a primeira vez que vi Amélie se envolver tanto com uma história. É interessante notar que mesmo com tão pouca idade nossas emoções estão numa formação tão intensa. É nessa hora que estamos definindo muito do que seremos no futuro. É disso que quero cuidar em Amélie. Para que ela saiba sempre valorizar suas emoções e perceber o quanto a vida pode ser encantadora e prazerosa. E, encantamento é o que não me falta a cada dia junto de minha filha.
P.S.: Para quem quiser sentir emoção semelhante a de Amélie, segue o episódio que a encantou. Está em inglês e o momento descrito começa por volta dos 8:40: