quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Livramento forte!

Amanhã é dia 10 de fevereiro. Um mês atrás foi um dia extremamente pesado aqui em casa. Agora é que tomei coragem pra relatar o que, até agora ainda me deixa meio derrubado. Agradecido demais a Deus, mas derrubado.
No dia 10 de janeiro, por volta de uma e pouco da tarde, Karol, como sempre faz, foi colocar Amélie pra dormir. No computador, resolvendo coisas de trabalho, só ouvi o baque vindo do quarto alguns segundos após a porta se fechar.
Amélie, num movimento inesperado, naqueles milésimos de segundo que qualquer criança precisa pra aprontar, despencou da cama da gente. A cama é box, bem alta, logo a queda foi feia. Bateu a cabeça no chão.

O choro intenso foi aos poucos consolado e parecia estar tudo bem. Se comportamento estava dentro do normal diante do horário habitual do cochilo e de ter se acabado de chorar. Deitada na cama, pegou um pouco de peito da mãe e cochilou.
Alguns minutos depois acordou e, com uma cara incomodada, sentou na cama e vomitou.
Nos preocupamos muito, pois segundo as orientações médicas que conhecíamos, pancadas na cabeça deveriam ter atenção ainda mais especial em caso de vomito.
Como a pediatra que habitualmente a atende só está na cidade às segundas-feiras e não disponibiliza seu celular para emergências, liguei imediatamente para uma clínica de Paulo Afonso para saber se havia algum pediatra atendendo. Não havia.
Nem deu tempo de tentar outra ligação. Assim que desliguei, Amélie começou a perder os sentidos. O corpo esfriou, o olho começou a virar e ela não mais atendia nossos chamados. Ela parecia se esforçar em manter a consciência mas não conseguia.
Do jeito que estávamos, catei a chave do carro e gritei para que minha sogra abrisse o portão de casa. Assim que ela abriu, Karol já saiu com ela no colo tentando chegar o mais rápido possível a um posto de saúde na quadra ao lado de nossa casa. Arranquei com o carro e parei para as duas entrarem.

Queríamos dar qualquer atendimento o mais rápido possível. Assim que atravessei o carro na frente do posto o povo que aguardava gritou que não havia médico atendendo. Aceleramos rumo ao hospital. No caminho, Amélie desmaiou por completo. Milhares de coisas passavam pela cabeça ao mesmo tempo, orei o tempo todo a Deus pedindo proteção a minha filha, enquanto Karol fazia o mesmo!

Rapidamente chegamos ao Hospital de Delmiro Gouveia. Ainda deu tempo de pensar nas infinitas vezes que ouvi histórias sinistras sobre o hospital. Que era completamente sem estrutura, que era uma máquina de mortes, etc, etc. Mas é exatamente aí que começam os milagres que me estimularam a dar o título dessa postagem. Deus agiu fortemente nos livramentos.

Assim que entramos no hospital, correndo esbaforidos, fomos tremendamente bem atendidos. É fato que o hospital não tem nenhuma estrutura, contudo nos destinaram muita boa vontade e dedicação. Quatro ou cinco enfermeiras vieram prontamente acompanhar, auxiliando o atendimento, ligaram imediatamente para a médica e já entraram com medicação, a médica chegou rapidamente ao hospital... recebemos uma grande humanidade da equipe de plantão naquele dia e, por esse motivo somos IMENSAMENTE gratos a todos. Não lembramos de nomes, mas estão todos em nossas orações.

Após o primeiro atendimento que Amélie recebeu, com o soro, ela começou a querer retomar a consciência. Se revirou na maca, tentou engatinhar. A médica examinou e determinou a necessidade de uma tomografia. A equipe do hospital ligou para Paulo Afonso, de onde receberam a informação de que o aparelho só funciona pela manhã. Nessa altura já eram quase 3 da tarde.

Amélie estava grogue, exausta, e voltou a amolecer. Desta vez para cochilar. Deixamos, pois não tinha jeito. A bichinha estava exausta, passou por muito estresse e ela cochilou enquanto aguardávamos. Nesse momento foi que percebi que eu estava descalço e sem nenhum documento.

Foi determinado então que ela fosse transferida para Arapiraca (170km de distância) para a realização da tomografia. Entre mobilizar a ambulância e a profissional que acompanharia a transferência mais um tempo se passou e, por volta das 16:30 a ambulância saiu de Delmiro. Karol foi com ela na ambulância e fui de carro atrás.

Passei em casa pra pegar umas roupas e os documentos e fui "em perseguição" a ambulância. Botei na cabeça que queria chegar no hospital num tempo que fosse possível eu estar junto a porta assim que estacionassem para que Karol e Amélie pudessem me ver ali. Sentir minha presença, meu amor.

Voei. Mesmo com toda responsabilidade que tenho no volante, o desejo era chegar para vê-las logo. Mesmo parando para abastecer no meio do caminho, fiz os 170 km em uma hora e meia. No posto de gasolina, tentei ligar pro celular de Karol e, por milagre, consegui. Soube então que Amélie acordara dentro do carro e já estava conversando, brincando, cantando e até beijo na enfermeira deu!

Me acalmei um tanto, mas queria ver tudo aqui resolvido. Chegamos em Arapiraca às 18 horas. Por outro milagre, a unidade de emergência do agreste (que recebe a "bagaceira" do interior todo) estava sem muito movimento e ela foi prontamente atendida.

Fez o exame, que foi avaliado por um neurologista, e, Graças a Deus, sem nenhuma sequela. O médico passou apenas um paracetamol caso ela apresentasse incômodo com dor de cabeça. Como ela estava bem, nem demos. Outra coisa importante que o neurologista destacou foi sobre a lenda de que não se deve permitir que a criança durma após uma queda. Ela disse que é bom ter a criança acordada apenas para observar comportamento, mas não agrava em nada a situação da criança. O site Babycenter explica isso muito bem! Não apenas isso, mas muita coisa bacana relacionada a crianças. Recomendo cadastro de todos que tem filhotes!

O balanço final da história foi que saímos da unidade de emergência de Arapiraca mais de oito da noite. Exaustos, mas felizes com a ação de Deus para proteger nossa filhota dessa fatalidade. Agradecidos por essa confusão toda virar uma história na qual podemos destacar sim um susto, mas que acabou bem diante de livramentos e bênçãos!

Chegando ao hotel, quando botamos Amélie no chão do quarto ela já disparou a explorar o ambiente todo, brincou um bocado, cantou e, quando jantamos, devorou vários pedaços de pizza. Tá ótima, linda, sabida e continua sendo a Bênção Maior que Deus nos presenteou.

Um comentário:

  1. Poxa, que susto, ein? Sustos com crianças é normal, mas essa falta de médico na cidade... nossa! Ainda bem que foi só um susto.

    ResponderExcluir